"Faço-lhe notar que um ser humano que não sonha é como um corpo que não transpira: armazena uma porção de toxinas"
Truman Capote

9.09.2011

sem título


O prazer do texto é o momento em que o meu corpo vai seguir as suas próprias ideias – pois o meu corpo não tem as mesmas ideias que eu.

Roland Barthes




Ainda a decorrer no CAM, a exposição de João Penalva justamente intitulada “Trabalhos com Texto e Imagem” suscita um conjunto de reflexões a propósito precisamente da relação entre texto e imagem (linguagens distintas e distintivas) no domínio das artes plásticas.


Se por um lado a poesia visual e os artistas que a ela se dedicaram – Salette Tavares, Ana Hatherly, Ernesto Melo e Castro, entre outros – criaram um universo de significâncias e representações em que a forte expressividade dos caracteres tipográficos ou dos signos por eles criados se constituem como o fundamento das obras criadas, num outro plano e envolvimento plástico do texto com a imagem, as letras, as palavras, as frases, enquanto meio e mensagem, apologética ou contestatária, irónica e corrosiva por vezes ou “apenas” cínica e incisiva, marca forte presença na obra de artistas como Barbara Kruger, Jenny Holzer e Shirin Neshat

ou nos trabalhos conceptuais de Joseph Kosuth, Lawrence Weiner e Bruce Nauman.

No domínio pictórico, João Vieira e António Sena construíram um singular percurso trabalhando de uma forma muito particular o cruzamento entre texto e imagem, visão e linguagem, quer nos alfabetos gestuais por parte de Vieira, quer nas inscrições e rasuras de Sena, surgindo a obra de ambos contaminada pela matéria poética contida na gestualidade, como parte do acto de pintar.

Mais recentemente, explorando outros meios e sobre outros suportes, os trabalhos de Rita Sobral Campos ou Pedro Diniz Reis procedem ao mesmo tipo de questionamento, reivindicando as raízes da “tradição” plástica do conceptualismo, quando esta se ocupa de texto e imagem, em simbiose efectiva ou aparente ou no território não menos inseguro das atitudes paradoxais.

Porque umas coisas levam a outras, e retomando a exposição de João Penalva, está subjacente a todo o percurso expositivo, a relação muito particular que o autor desenvolveu entre texto e imagem, entre os objectos que povoam a sua obra e as linguagens empregues na sua consumação, seja no que diz respeito às representações, seja nas narrativas a que procede acerca de lugares, coisas e situações. Tais narrativas – como as imagens – são tudo menos ilustrativas ou sequer descritivas, ao ponto de ser possível considerar que, umas e outras apesar de agregadas, poderiam perfeitamente ter existências separadas.




8.29.2011

Idiossincrasias


Tomei conhecimento por estes dias, que uma pessoa – qualquer pessoa – pode ser “anexada” a um grupo restrito do Facebook – qualquer grupo – à revelia da sua vontade…

Isto, para além de ser perigoso, parece-me espantoso!

Pessoa amiga foi pois “adoptada” por um desses grupos, sem ter sido consultada ou sequer informada. Quando tomou conhecimento, por interposta pessoa, manifestou primeiro espanto, depois repúdio, mas já estava…

Não sei nestes termos, qual a eficácia do desmentido perante a disseminação e proliferação de toda a informação e se calhar nada disto seria muito importante, não foram os pressupostos da coisa.

Tanto quanto me foi dado saber, para “ingressar” num desses grupos – qualquer grupo do Facebook – basta que alguém pertencente, indique uma pessoa do seu círculo de “amizade” não sendo necessária a concordância expressa do próprio!

Inadvertidamente e porque não nos é possível controlar toda a informação que se veicula, podemos neste momento fazer parte de uma qualquer agremiação ou congregação de vontades sem que o saibamos… basta que um “amigo” o queira.

Não sei qual a atitude da pessoa envolvida, se deu ou não importância ao assunto, nem isso me interessa. Se o caso se desse comigo, dar-me-ia ao trabalho de, enquanto não exigisse a pública e manifesta exclusão do grupo – qualquer grupo – de tentar encontrar quais os meus “amigos” também integrantes do dito, e perceber quem poderia ter sido o autor da proeza. Se calhar, e a partir daí, repensaria o meu círculo de amizades…

Sim porque para mim, consistiria numa grande proeza alguém conseguir “arrastar-me” para um grupo restrito, que se propusesse conduzir fosse quem fosse ao cargo de primeiro-ministro deste país ou de outro país qualquer.

É que para além do mais, e fazendo minhas as palavras de Woody Allen, “seria incapaz de pertencer a um grupo que me aceitasse como membro”…


8.23.2011

Assunto Encerrado


A experiência é a soma dos nossos erros

Susan Sontag


Errei!

Por outras palavras, acumulei experiência.
O errático e inconsequente presidente da AMI, foi a gota de água.
De facto, os políticos não são todos iguais. Tornam-se.
E a tal ponto o conseguem que todos juntos não fazem nem valem um (que se diferencie dos outros pela positiva).
Mas há mais água a correr sob as pontes e muitas mais gotas para fazer transbordar os copos.
Em mais um ataque de ingenuidade, acreditei que o actual ministro da educação fosse a pessoa capaz de fazer reverter a situação calamitosa a que o ensino chegou. A avaliar – é apenas um exemplo - pelo que se pretende fazer com o ensino do Português, não o é, porque o que vai continuar a ser feito, é tão-somente o favorecimento das estatísticas e a promoção da iliteracia.
Pois… o Nuno Crato, professor, divulgador, investigador… deu lugar ao Nuno Crato ministro, o qual, através das suas próprias palavras deu lugar a uma outra personagem que nada tem a ver com o perfil de rigor e cientificidade que durante anos fez acreditar que possuía. Para que não subsistam dúvidas, o Nuno Crato ministro, fez questão de nos informar que quando se está no governo “tem que se saber fazer as coisas”; quando se está de fora, apresentam-se “críticas e sugestões independentemente da oportunidade”.
Quanto a mim, Nuno Crato, o ministro, perdeu uma excelente oportunidade para estar calado… e de política, estamos conversados.